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Cultura

RIO DA MINHA INFÂNCIA - Lamentos meus

07/01/2021 08h01

Foto: Divulgação Goianir José Sales
RIO DA MINHA INFÂNCIA - Lamentos meus

                                                           Autor:  Goianir José Sales


               Hoje ao cair da tarde, estou sentado à beira do rio. O sol depois de terminar sua jornada diária, nos dando calor e força, descansa para os lados dos garimpos do Pontal, dando lugar às belezas dos raios lunares que já despontam sobre as palmeiras ainda verdejantes da Serra do Carmo. A noite é de lua cheia . Sinto uma carícia de Deus, por meio de uma brisa suave, no meu rosto, fico a perguntar: ó meu rio Tocantins, rio da minha infância, onde estas?

Eras bonito, garboso, caudaloso, teimoso, valente, eras cheio de pequenas canoas, de Motores de Popa, de grandes motores de Centro e de batelões vindos de Belém, trazendo de tudo. Trazendo castanhas do Pará, onde a meninada se deliciava em reboliço, e eu no meio.

Onde estão as corredeiras da Carreira Comprida, perigosas, violentas, majestosas, com o canal do Chupa e o Canal do Inferno, que todos tinham pavor? E as lendas como a do Nego D’ água,e da Cobra Buiuna, que contavam para amedrontar a criançada, em noites sem luar?

Onde está a Ilha de Porto Real, de areias brancas, rangindo aos pés onde eu brincava quando criança?No Porto das mulheres só tu podias passar,más silente e devagarinho para que não fossem perturbadas as recatadas banhistas de todas as tardes. onde está o Porto da Manga, com seus três paredões, Primeiro, Segundo e Terceiro andares, onde testavam a coragem e a afoiteza da meninada da Rua do Caba Saco, da rua das Pombinhas e da Rua do Buracão?

Ainda me lembro e não vejo mais, no Porto da Escadinha, em breve remanso, curvavas um pouco, em reverência à velha catedral Senhora das Mercês, más logo em seguida, abaixo do Porto de Danton, com pressa incontida, chiando caniços, quase a cantar, corrias ligeiro em busca do mar.

Também já não vejo os lajedões do Lajeado que se estendiam quase lá a sumir no horizonte, entrecortados por tuas águas como nuvens líquidas branqueijantes.

Onde está o roncar das cachoeiras que se misturava com o cantar dos passarinhos sobre as palmeiras ribeirinhas e em reboliço pelo ares?

Voltei para rever coisas da minha infância, coisas da minha vida, coisas que eram minhas, más tudo em vão.
Que te fizeram ó meu rio Tocantins rio da minha infância, não respondes? Estás cansado, debilitado, deprimido, envergonhado? Más ainda assim, já devagar, quase a chorar, continuas a te arrastar pelos caminhos do mar.

Assim como eu, humildimente, apesar de tudo inda com fé, com mil saudades, ó meu rio, me arrasto pelos caminhos da vida, caminhos que procuro e que me levam à verdadeira LUZ, GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO.  

   

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